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A
afta ou úlcera aftosa recorrente é uma doença
comum, que ocorre em cerca de 20% da população, caracterizada
pelo aparecimento de úlceras dolorosas na mucosa bucal, as
quais podem ser múltiplas ou solitárias.
2) Quais as características clínicas da afta ?
| As
aftas costumam ser precedidas por ardência e prurido, bem
como pelo surgimento de uma área avermelhada. Nessa área
desenvolve-se a úlcera, recoberta por uma membrana branco-amarelada
e circundada por um halo vermelho. Essas lesões permanecem
cerca de 10 dias e não deixam cicatriz; em geral, o período
de maior desconforto perdura por dois ou três dias. |
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3) Todas as aftas são iguais ?
Não.
Atualmente são reconhecidos três tipos de aftas, sendo
a vulgar ou minor a forma mais prevalente. As outras
formas são mais raras: uma delas é conhecida como herpetiforme,
porque lembra a manifestação do herpes simplex, apresentando
um grande número de pequenas ulcerações superficiais
arredondadas e agrupadas, que também perduram por cerca de
10 dias; a outra forma é chamada afta major,
que, como o nome indica, produz uma ferida maior (com mais de 1 cm
de diâmetro), mais profunda, mais dolorida, mais difícil
de tratar e que permanece semanas ou, às vezes, meses.

4) Por que as aftas doem tanto ?
As
aftas são lesões ulceradas: há exposição
do tecido conjuntivo, que é rico em vasos e nervos, o que provoca
dor. Além disso, o quadro pode ser agravado por infecções
causadas por microorganismos do meio bucal.

5) O que causa a afta ?
Não
podemos afirmar que exista um agente etiológico específico.
A literatura aponta uma alteração da resposta imunológica
como possível causa primária em alguns pacientes e secundária
em outros. Os ácidos presentes na alimentação,
os pequenos traumas à mucosa, distúrbios gastrintestinais,
o ciclo menstrual e o estresse emocional agem como fatores desencadeantes.

6) Qual a relação entre as aftas
e a dieta ?
Alguns
alimentos, quando em contato com a mucosa bucal, podem desencadear
uma resposta imunológica alterada em certos pacientes, o que
provocaria o aparecimento da ulceração. Muitas vezes
os pacientes são alérgicos: têm aftas quando ingerem
certos alimentos.

7) As aftas são contagiosas ?
Não,
pois não se trata de doença infecciosa. No entanto,
há um traço familiar envolvido. Filhos de pais portadores
de aftas apresentam chances bem maiores de também sofrerem
com aftas.

8) Outras doenças podem parecer aftas
?
Sim.
O cancêr de boca, ou carcinoma epidermóide, frequentemente
começa como uma lesão ulcerada. Por isso, frente a uma
úlcera bucal que não cicatriza dentro de 15 dias, o
paciente deve procurar o cirurgião-dentista para o diagnóstico
da lesão. Além disso, algumas doenças infecciosas,
como o herpes, e algumas doenças dermatológicas com
ocorrência intrabucal, como o lúpus, embora tenham características
próprias bem conhecidas, em certas fases de seu desenvolvimento
podem parecer-se com aftas, principalmente para o leigo.

9) Só agora, perto dos 50 anos de idade,
comecei a sofrer com aftas. Por quê ?
Confirmando
o diagnóstico (pois nem toda ferida na boca é uma afta),
será preciso investigar algum fato relevante na história
médica do indivíduo ou se houve alguma modificação
importante em seus hábitos de vida. Um fator muitas vezes relacionado
com essa história é o abandono do hábito de fumar.
O fumo provoca um espessamento da mucosa bucal, que parece tornar-se
mais resistente à penetração de agentes desencadeadores
da afta. Resta saber se vale correr o risco de adquirir um cancêr
de boca ou pulmão para se proteger das aftas.

10) Queimo minhas aftas com formol; há
algum problema nessa prática ?
| A
aplicação de substâncias cáusticas,
como o formol sobre as aftas destrói o tecido da região,
inclusive as terminações nervosas, o que faz desaparecer
a dor. Entretanto, o que se faz é substituir a afta por
uma queimadura química, que causa injúria a tecidos
normais. Além disso, há risco de maiores danos pela
inadequada manipulação dos produtos por parte dos
usuários. Não se recomenda tal prática. |
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11) Qual o melhor tratamento para as aftas
?
Não
existe tratamento que seja eficaz para todos os portadores de aftas.
Alguns têm uma lesão aftosa uma vez por ano; outros apresentam
lesões múltiplas diuturnamente. As medicações
de uso sistêmico, como os imunossupressores, são mais
efetivas na redução dos sintomas, mas possuem efeitos
colaterais indesejáveis, às vezes graves, sendo, por
isso, reservadas para os casos mais severos da doença, exigindo
o acompanhamento atento de um especialista. Para os indivíduos
com quadros clínicos mais leves, a melhor abordagem é
a aplicação tópica de anti-sépticos, antiinflamatórios,
anestésicos ou protetores de mucosa, naturais ou sintéticos.
O cirurgião-dentista deve ser consultado para um adequado diagnóstico
e orientação terapêutica.
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I.M.O.
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